Faltam exatamente 10 minutos para sair no blog o resultado da promoção. O número de visitantes nunca foi tão bom. Isso prova como os participantes realmente se interessaram. Como agora é uma hora de tensão, aí vai o desabafo de um publicitário, para vocês pensarem e, é claro, para matar esses 10 minutos que estão por vir.
De repente, Comunicação Integrada virou a sensação da publicidade brasileira. Os que falavam em above e below the line cortaram a linha, as agências full-service ganharam mais espaço no mercado, o marketing de guerrilha começou a ser mais praticado, e o discurso foi incorporado pelos publicitários brasileiros. Agora: o que realmente é feito de integrado no mercado, hoje?
O maior anunciante do país, as Casas Bahia, gasta em mídia mais que o dobro do segundo maior, a Unilever (que divide a verba em vários produtos). E o mais engraçado: tudo em mídia tradicional. Já sabemos que o consumidor possui vários pontos de contato, e temos know-how pra atingi-lo em todos os pontos. Por que não pôr a mão na massa e realmente fazer Comunicação Integrada?
Os próprios clientes, ao redor do mundo, estão pedindo essa atitude das agências. A Procter & Gamble, que é o 2º maior anunciante dos Estados Unidos, já passou seu briefing mundial para elas: “Construir marcas sem o uso da mídia tradicional, reforçando a necessidade de novas formas de aproximação com o consumidor”. Não é só a Procter, mas outras grandes marcas como a Nike e a Coca-Cola, cada vez mais procuram essas novas formas de falar com o seu público. A era da publicidade de massa já passou.
Já passou? Então por que aqui no Brasil a gente continua pensando do mesmo jeito? Se lá o segundo maior anunciante tem um briefing desses, por que o nosso maior anunciante aqui ainda fala com 100 milhões de consumidores da mesma maneira? O problema é do público-alvo, do anunciante ou das agências? Quem está errado, o produto, o vendedor ou o comprador?
Em todo evento de publicidade, como o Almanaque de Criação, ouvimos a mesma coisa: a publicidade está mudando. A forma de vender produtos está mudando. O consumidor está mudando. Chegou a hora de mudar o nosso discurso: o consumidor brasileiro já mudou. A propaganda é que tem que sair do gerúndio e acompanhá-lo de uma vez por todas.
Vinicius Moreira, diretor de atendimento
25 Março, 2008 às 3:17 pm
Fantástico o texto. Acho que me identifiquei com o seu desabafo.
Que seja hoje mesmo o dia que os publicitários sairão do gerúndio.
26 Março, 2008 às 3:03 am
Olá Paula.
Obrigado, meio atrasado, mas obrigado.
Nos vemos no Almanaque ;]
9 Maio, 2008 às 4:46 pm
Concordo com você Vinicius, quando diz que tudo deve mudar, as estratégias devem mudar, afinal, se somos movidos pelas transformações, por que a propaganda vai ficar estagnada e presa a paradigmas já ultrapassados? E com a chegada da Tv digital, isso tende a piorar, as pessoas terão autonomia sobre a programação e podem optar por não quererem assistir mais os comerciais. Está na hora de mudar esse cenário, inovar, colocar o povo da criação para esquentar a cuca mais ainda e revolucionar esse mercado com boas idéias.
Eu sou estudante de publicidade e venho acompanhando os acontecimentos e já percebo pequenas mudanças. Espero que esse processo continue e seja efetivo. Um abraço!